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26 julho 2014

SHITOKAN NO JOJISHI : dai san no uta – Kuroi Ame (verso segundo - Chuva Negra)

Do dicionário: Epopeia é um conjunto de acontecimentos históricos narrados em verso, e podem não representar os acontecimentos com fidelidade, porém apresenta fatos com relevante conceito moral e eventos heroicos, por exemplo, transcorridos durante guerras, ou relativos a fenômenos históricos, lendários ou míticos, e que são representantes de uma determinada cultura.


Narrarei aqui, tal qual vão acontecendo as aventuras, a epopeia de um singular grupo de destemidos aventureiros, viajantes de uma terra mítica muito além do horizonte, o Império oriental de Shitokan, um mundo envolto em mistérios e governados pela honra e pela magia . Terra esta que nasceu da brilhante mente de um amigo muito especial, honorável Adelir-san. Verso a verso, contarei o destino incerto deste bravos guerreiro de olhos puxados, cujo maior intuito é a busca pelo desconhecido...

dai san no uta – Kuroi Ame (verso segundo - Chuva Negra)
Kuroi Ame no naka de no Samurai

De meros vassalos sem valor
Lançados à incógnita sorte
Ao livrarem a nobreza da morte
Regressam heróis com louvor

E antes mesmo de um alívio
Ordens emanando mistério
Os mandam ao cerne do império
Tirando-os do vulgar oblívio

Mas seu caminho impetuoso
Qual flúmen terrível e sinuoso
Reserva surpresa em reponta

Amiúde em um flerte mortal
Sob a negra chuva do mal
O asceta sombrio os confronta...

 (Anderson)

02 julho 2014

Comum e corrente

O olhar delicado, o amor integral
Quem tiver entendimento, que entenda...
Um susto engraçado, o amparo maternal
Beleza que não se descreve em palavras
Sensações novas, momentos sem igual
Instantes primeiros de um nascer conceitual
E depois... O que será?

Corridas gritadas sem motivo ou noção
Choros manhosos, de dor ou emoção
Joelhos ralados com jeito de troféu
No colo do pai sempre há proteção
Brincadeiras e jogos de imaginação
Então... O que será?

Revolta sem causa ou mero pretexto
Problemas infames, amores de contexto
Tudo em um tom radicalmente romântico
Em meio a acnes e discursos sem texto
Tão frágil e ocioso qual um ano bissexto
Mas e ai... O que será?

(...)
Sonhos palpáveis de horizonte tangível
Amores reais plagiando o incrível
A força da vida em latente euforia
Fazendo até troça do tal impossível
Quando tudo parece provável e plausível
E em seguida... O que será?

 O auge esmerado das realizações
Ou então o cansaço de mil frustrações
De muitos são seus anos dourados
Para outros desengano e decepções
E à todos o peso de muitas estações
Ainda assim... O que será?

Cabelos de algodão e pele franzida
Doces sorrisos, memória esquecida
Os anos pesando e fazendo corcova
Prédica sábia sendo até proferida
Ou tristes balbucios de uma despedida
Mas... E depois... O que será?

(Anderson)

21 junho 2014

Soneto Inglês - Primeiro

Dos risos da longínqua infância
Um mero esboço ainda resta
Eramos felizes e não sabíamos... Triste delay
existencial...
Lembranças da velha estância
Marcadas nas rugas da testa

Sabores me vem logo à mente
Dos doces frutos do meu pomar
Onde então plantei a semente
Que hoje me ajuda a sonhar

Que saudade daqueles anos
Tempos idos de felicidade
Quando não haviam tiranos
Tampouco dor ou ansiedade

Inda bem que quando enfim adormeço
No sonho, retorno ao meu lindo começo

 (Anderson)

14 junho 2014

SHITOKAN NO JOJISHI : dai ni uta – Kiriyama (verso segundo – Monte da Névoa)

Do dicionário: Epopeia é um conjunto de acontecimentos históricos narrados em verso, e podem não representar os acontecimentos com fidelidade, porém apresenta fatos com relevante conceito moral e eventos heroicos, por exemplo, transcorridos durante guerras, ou relativos a fenômenos históricos, lendários ou míticos, e que são representantes de uma determinada cultura.


Narrarei aqui, tal qual vão acontecendo as aventuras, a epopeia de um singular grupo de destemidos aventureiros, viajantes de uma terra mítica muito além do horizonte, o Império oriental de Shitokan, um mundo envolto em mistérios e governados pela honra e pela magia . Terra esta que nasceu da brilhante mente de um amigo muito especial, honorável Adelir-san. Verso a verso, contarei o destino incerto deste bravos guerreiro de olhos puxados, cujo maior intuito é a busca pelo desconhecido...

dai ni uta – Kiriyama (verso segundo – Monte da Névoa)

Das cinzas a ordem pungente
Ao pé da montanha os conduz
Yamamichi no Kiriyama
Perdidos nas sombras da luz
Augúrios de um risco eminente

Nas brumas do monte sagrado
A morte os corteja em vão
Audazes e ingênuos que são
Afastam o mal execrado

E no abismo do medo insondável
A espada se mostra imprestável
Acedendo o lugar ao encanto

Na estreita ponte do karma
O impulso se torna uma arma
Que os salva... Por enquanto...

 (Anderson)

SHITOKAN NO JOJISHI : mazu uta - Saikai (verso primeiro - Recomeço)

Do dicionário: Epopeia é um conjunto de acontecimentos históricos narrados em verso, e podem não representar os acontecimentos com fidelidade, porém apresenta fatos com relevante conceito moral e eventos heroicos, por exemplo, transcorridos durante guerras, ou relativos a fenômenos históricos, lendários ou míticos, e que são representantes de uma determinada cultura.


Narrarei aqui, tal qual vão acontecendo as aventuras, a epopeia de um singular grupo de destemidos aventureiros, viajantes de uma terra mítica muito além do horizonte, o Império oriental de Shitokan, um mundo envolto em mistérios e governados pela honra e pela magia . Terra esta que nasceu da brilhante mente de um amigo muito especial, honorável Adelir-san. Verso a verso, contarei o destino incerto deste bravos guerreiro de olhos puxados, cujo maior intuito é a busca pelo desconhecido...


 mazu uta  -  Saikai  (verso primeiro - Recomeço)

Do fundo de um’alma atordoada
Kakita Shoo : koto no samurai saisei

O guerreiro outra vez evocado
Refém de seu próprio passado
Retoma a justiça abdicada 

Noutro tempo um devoto louvável
Liberto de sua mísera sorte
Reitera o requesto a morte
Juntando-se ao bando improvável

Títeres de um fadário sombrio
Fez sôfrego o nobre gentil
Retomam o caminho de outrora

Em busca do embate final
Marchando entre o bem e o mal
Erguem-se os guerreiros da aurora

 (Anderson)

27 maio 2014

Manto

Um sopro do vento leste
"and nothing else matters..."
Faz vívido o meu sentir
Aurora de um tal porvir
Em tom verde campestre

N’oeste um pueril ocaso
Improviso de tristeza
Capricho da natureza
Do tempo faz pouco caso

De ponta à outra riscado
Em traços louros pintado
Sendeiro do régio astro

Das pipas o aconchego
Das noites o fundo negro
Estrelas fazendo rastro

 (Anderson)


23 maio 2014

O que temos para hoje? Educação. Só que não.


Just... Think about it.
Há tempos que venho fomentando uma vontade crescente de escrever sobre um assunto um tanto quanto polêmico, mas não o suficiente, eu diria, tendo em conta que o que  há de concreto sobre o tema (de maneira geral, pois obviamente sempre há exceções. Segura a onda ai...) são meramente opiniões divergentes, formadas por não mais que do que nossos egos inegavelmente  “parlatores”, os quais em suma apenas se posicionam de acordo com suas conveniências e necessidades, não passando de falácias pertinentes das pessoas afetadas que formamos essa sociedade liberalista anarquista atual. Isso tudo na minha humilde e singela opinião, claro. Falo, especificamente, sobre a educação de nossas crianças. De nossos filhos, sobrinhos, afilhados, netos. Enfim, do nosso dito “futuro” em geral, com base na dura realidade desses nossos dias inglórios.
Não sei se por que tenho duas filhas pequenas ou simplesmente por ser um crítico radical inveterado, mas a cada dia que passa, além de me chamar a atenção, confesso que muito me preocupa a direção que estamos norteando aos nosso infantes. Segundo a ancestral sabedoria oriental (que não vi falhar até hoje...) as crianças aprendem com o exemplo e não com o discurso. Pois bem, é ai que mora o perigo. Sim, pois, que tipo de exemplo estamos dando a eles nessa sociedade decadente contemporânea à qual eu, você e todos nós pertencemos, queiramos ou não? Uma sociedade onde valores são mutáveis e até mesmo negociáveis, princípios são discutíveis e praticamente dispensáveis. Não nos preocupamos com a base, não nos envolvemos. Pelo menos não como deveríamos. Falar de “conceitos” (e deixo claro aqui que tenho severas reservas quanto a aplicação do termo “conceito” em determinadas afirmações, uma vez que isso acaba por induzir o leitor ou o ouvinte a um patamar puramente abstrato quando a intensão seria, em verdade, dar o tom de realidade à algumas definições, mas é assim que é tratado hoje, infelizmente) como o da família é um problema, pois cada qual tem uma opinião sobre o tema, de acordo com sua ótica particular. A verdade é que não sabemos mais educar filhos e terceirizamos toda a responsabilidade à “n” outras fontes, como escolas, avós, “tatas”, “dindas” entre tantas que há, tudo devidamente endossado pelos tão famigerados fatores formadores do cotidiano contemporâneo nosso de cada dia (excesso de trabalho, déficit de ganhos, extras para completar a renda, bla, bla, bla...) E ainda há um fator agravante, pois além disso ser totalmente incoerente por natureza (já que esse tipo de responsabilidade é intransferível, originalmente) há ainda o fato dessas outras “fontes educacionais” na maioria das vezes não atenderem sequer o nível mínimo exigível para poder oferecer algum tipo de guiatura para uma criança. Poderia discorrer agora sobre todos os infindáveis males sociais e culturais que assolam nossa sociedade doente e que estão todos interligados quando falamos de problemas como este, mas seria chover no molhado e também não é esse o intento dessa vez. A questão é que sequer sabemos dizer não aos nosso filhos. Acometidos por um sentimento de culpa e remorso (gerados nada mais nada menos que por nossa mera omissão, quer seja isso consciente ou não...), sentimos “dó” de nossos pequeninos. E, pior, ainda confundimos esses sentimentos negativos com compaixão, ou mesmo amor. Ledo engano o nosso... O amor sabe dizer sim e sabe dizer não quando necessário. Mas estamos (ou somos) tão afetados que seria pedir demais que conseguíssemos distinguir tais sutilezas. E por este simples ato, de não saber dar limites (pois nem mesmo temos noções deles mais), acabamos dando início, ou pelo menos gerando uma possibilidade (infeliz, claro) para que nossos pequenos venham a se tornar seres incoerentes, de mentes torpes e caráter falho (tipo esses bilhões que estão por aí hoje, planeta a fora...). Mas, como diria Mufasa, “This is the circle ofLife”... Pois bem, afinal será que sou tão pessimista assim, ou é o mundo que se tornou infinitamente positivista-materialista a ponto de ser ridiculamente complacente com coisas avessas e estupidamente intolerante com o que é realmente duradouro? Eis a questão...
Entendeu???
Façamos uma análise com isenção de ânimo (tanto quanto isso seja possível). Comparemos as gerações por um instante. Mas não vamos muito longe não, peguemos a minha, que sou nascido em 79, com a da minha filha Bela nascida em 2007 (em teoria, eu sou da chamada Geração Net ou Y e minha filha da tal Geração Z, segundo conceitos sociológicos contemporâneos). Agora vem todo um cabedal de discordâncias filosofais, um rol de incongruências vivenciais. Ou, traduzindo em bom português: diferenças gritantes no “modus operandi” da minha infância com a dela. Quando pequeno eu... Bom quando eu era pequeno era feliz e não sabia. Nem fazia idéia, em verdade. Claro que tive uma vantagem sobre minha filha, pois cresci na roça. Qualquer pedaço de pau era um carrinho. Uma enxada para fazer as estradinhas e pimba! Brincadeira para o dia todo. Esconde-esconde (à noite inclusive!), bulita, léca (pega-pega), e tantas outras coisas que não exigiam mais do que a vontade de brincar. E se fosse falar da geração de meu pai então, nascido na década de 60, o índice de “felicidade na infância” seria infinitamente maior, mas deixa isso para outra vez. Logo, vejo essas pessoas nascidas após a década de 90 (a tal geração Z...) e por muitas e muitas vezes fico à refletir sobre a maneira como estas estão crescendo. Para tudo o que tenha relação com diversão hoje é preciso carregar baterias. Tudo tem a ver com estar conectado. Se chegam em algum lugar, antes de cumprimentar alguém muitas vezes estão pedindo a senha do Wi-Fi. Crianças que sequer sabem limpar a bunda direito, mas já tem conta no Facebook. No meu tempo ganhar uma bola de capotão ou um boneco do Fofão de presente era o máximo. Hoje, se não for pelo menos um tablet, melhor nem dar o presente. Como se fosse algo indispensável à uma criança... Celular então, é mais comum do que caixa de lápis de cor. Aliás, desenhar e pintar é coisa de “criança retardada”, até no máximo cinco ou seis anos, passou disso já se vê a molecada para cima e para baixo com o telefone na mão, exibindo seus smartphones como se fossem troféus. E nem me perguntem o motivo do tal troféu, pois por necessidade ou mérito que não é. E sinto isso na pele, pois a Bela vira e mexe me pergunta quando ela vai ter um tablet ou mesmo um celular. Outro dia disse a ela que quando completasse 10 anos ela ganharia um tablet, se fizesse por merecer, claro. Quanto a celular, expliquei que não há motivos para ela ter um, pois é um aparelho feito para as pessoas adultas se comunicarem quando necessário, bla, bla, bla. Ela apenas respondeu “Papai, se as crianças não precisam, porquê tem um monte de amiguinhos meus que tem celular?” E agora, zé, falar o que?! Meu primeiro impulso foi dizer à ela que os papais e mamães dos seus amiguinhos não estavam “fazendo a lição de casa”, que não estavam ensinando os valores verdadeiros à eles, que estavam deixando a TV e as tendências educarem seus filhos, que não tinham sequer noção do que eles mesmo faziam quanto mais autoridade moral para dar a direção para seus descendentes, que não passavam de uns maria-vai-com-as-outras, que se preocupavam em ser amigos de seus filhos mas esqueciam de ser seus mestres, seus guias (pois hoje para ser amigo parece que tem que ter dó!). Enfim, pensei em dizer tudo isso a ela. Mas não disse. A pobrezinha não iria entender, com certeza. Além do que, mesmo que ela já possuísse discernimento suficiente para alcançar esse raciocínio, causaria uma confusão generalizada em sua cabecinha. Sim, pois é justamente o contrário de tudo isso que é pregado sociedade a fora. Certo e errado não tem mais significado nem definição nos dias de hoje. Vira e mexe aparece algum pseudo-filósofo liberalista (mais prolíferos do que gripe atualmente...) com aquelas manjadíssimas máximas de que “certo e errado é tudo uma questão de ponto de vista” e não sei mais o que. Logo, me limitei a dizer o seguinte à ela: “Filha, tem coisas que ainda é cedo para você entender, mas precisa confiar no papai e na mamãe. Nós queremos o seu bem e sabemos o que é bom para você, e na hora certa você terá aquilo que você quer, mas precisa esperar. Ok, querida?” Ela me olhou, sorriu e voltou a brincar. Por incrível que pareça não reclamou... Não sei se ela entendeu, mas quero acreditar que já é um começo. Minha missão como pai, a missão de todos os pais e mães em verdade, e assim quero crer, é dar suporte, oferecer uma base forte para que acriança tenha uma chance a mais nesse mundo cão.
Seria cômico... Não fosse trágico...

Purismos à parte, não sou contra, como insinuou um amigo outro dia, ao acesso das crianças as tecnologias, desde que elas não tomem nosso lugar. Desde que façamos as coisas conscientemente. Afinal, existe uma necessidade real em dar um celular para uma criança de sete ou oito anos? Nós realmente acreditamos que temos todo o controle ao permitir que nossos filhos possuam contas em redes sociais antes dos 13, 14 anos (podem rir, mas isso é sério.E depois dessa idade é estupidez mesmo querer achar que temos algum controle...)? Permitir que assistam praticamente a mesma programação que nós (sendo que o ideal seria que também nós não assistíssemos nada inadequado ou inútil ao menos junto deles, em bom português...) mesmo vendo o aviso indicativo de faixa etária na tela é realmente algo inteligente? São essas coisas que temos que nos perguntar, constantemente. Não temos que isolar nossas crianças em uma bolha ou trancafia-las em internatos. Não precisamos obriga-las a brincar com pedaços de paus ou que fiquem somente à rabiscar papéis aos dez anos. Não é preciso proibir a televisão. Mas é sim preciso e indispensável que dosemos tudo, que lhes mostremos os limites, que saibamos dizer não quando for preciso, e não apenas quando nos for conveniente. É necessário e urgente que saibamos (ou aprendamos, se for o caso) à utilizar o bom senso. Nem tudo que nos é permitido, nos é adequado. Isso é o princípio do bom senso. Acho até que isso está na bíblia (se serve de respaldo...). Precisamos ser mais pais de nosso filhos, e menos companheiros. Entenda quem tiver entendimento. Aos demais, atirem suas pedras...
(...)
Há um conceito (e aqui sim se aplica a definição) que considero deveras importante, por ser universal e perene, que serve perfeitamente como analogia em situações como esta. Trata-se do conceito da construção civil, ou simplesmente a construção de uma casa. Se queremos erigir uma construção mais alta, com mais andares, é preciso reforçar o alicerce desde suas fundações, e isso se faz no início da obra ou o prédio irá ruir. Simples assim. E é exatamente assim com nossas crianças. Ao invés de nos dedicarmos à sua base, nós acabamos por ir colocando parede e telhado sem nem mesmo ter levantado o alicerce. Pulamos etapas, negligenciamos nossas responsabilidades, as deixamos aleijadas com nossas violações inconscientes e inadvertidas (será??). Ai lhes damos muletas e mandamos que corram. E é claro que sabemos onde isso acaba... “Onde foi que eu falhei? Que foi que eu fiz de errado?” (Sempre tardiamente, só para frisar). Ou será que realmente achamos que os ditos "vidas-tortas" nascem tortos? Tudo tem um início, em algum momento. E isso é de lei. Há muitos fatores determinantes no processo de crescimento e amadurecimento de uma pessoa, desde genéticos a metafísicos, e em especial os que “o meio” acaba controlando. E penso muito nisso. Não me considero exatamente um exemplo a ser seguido, por minhas filhas até. Em verdade não diferencio muito desses pobres pais, sinceros equivocados, que vemos por ai, e me compadeço por todos nós, fracos que somos. Entendo perfeitamente que o preço que pagamos pelas comodidades da vida moderna geralmente atinge valores além do que poderíamos (ou deveríamos) aceitar pagar. Mas ainda assim pagamos. O trabalho, os compromissos profissionais ou sociais, os lazeres, tudo isso acaba se tornando prioridade em nossas vidas, mesmo que por vezes nem sequer nos demos conta. E isso realmente entristece minha alma, me levando, vez que outra, à amargas lágrimas silenciosas. Sou deveras falho em diversos aspectos, mesmo assim tenho uma visão muito clara sobre todas estas questões. Se me falta a tenacidade suficiente para servir de exemplo vivo, pelo menos tenho uma noção bastante objetiva de qual caminho deveria (devo?) seguir. Limitado que sou, me esforço ao máximo para que minhas ideias “na contramão” (tomando por base esse mundo decrépito, claro, pois se você não vai com a manada, logo está andando no sentido oposto, queira ou não) possam ser absorvidas da maneira que gostaria que fosse. De fato meus métodos parecem um tanto contraditórios e meu antissocialismo nato não ajuda muito, eu sei. E por vezes isso me deixa apreensivo sobre se “afinal, estou fazendo a coisa certa?” Em todo caso, algo sempre acaba me dizendo que sim. Não quero criar nenhum tratado de psicologia infantil aqui. Apenas quero estar com minha consciência tranquila daqui dez anos. Definitivamente não tenho a menor vontade de ser o protagonista de mais um drama da vida moderna, ainda mais sendo as personagens tão importantes para mim, no caso, minhas pequeninas. É por isso que o momento de agir é agora. Mais além, elas estarão por conta, ai restará apenas a expectativa. Deixo aqui apenas um conselho final: não sejamos os algozes de nossos infantes, nãos sejamos os responsáveis pela adulteração de suas infâncias, e por consequência, de suas vidas. Não lhes neguemos o direito a inocência, e façamos o possível para não roubá-la deles, cumprindo nosso papel de mentores, fazendo com que esta inocência perdure o máximo de tempo possível.

04 maio 2014

Ukyo

Kaito Ukyo, quando jovem,
 em posse de sua Onimaru
(ou vive-versa...)
A lâmina de preciso corte
Lampeja em voz silenciosa
Tão rápida quanto formosa
Abrindo as portas da morte

Em tons rubros pulsantes
Reluz um matiz visceral
A negra cor do metal
Algoz dos finais instantes

Os ventos até esmaecem
As bases ta terra estremecem
Ao comando do domador

E a luz vira escuridão
Sem remorso, sem perdão
Apenas fúria e rancor

 (Anderson)

23 abril 2014

Angelus

Como se a nossa crença (ou descrença)...
Se eu acredito em anjos?
Como não?
Sei até como eles são!
Pequeninos e ligeiros
Armados de travesseiros
Por todos cantos estão

Duvida do que eu falo?
Sem problemas, tubo bem.
Por vezes duvido também!
Mas de nossa vã concessão
Não carecem, nem o vão
É d’Outro o seu amém.


...fizesse alguma diferença...

Brincar, pular, correr...
São levados, bem assim,
Todos eles, vai por mim!
Que assim fazem toda hora
De repente e sem demora,
Flores do meu jardim 


Falar... Não, não falam.
Sua palavra é a canção
Na linguagem do coração
Curando todo o cansaço
Inda mais junto d’um abraço
Qual preces em oração




Tem preto, branco, amarelo...
Ruivinhos de muitos tons
...para sua real existência.
Malandros, sabem ser bons
E ainda assim são iguais,
Perfeitos, nem menos nem mais
Feitores dos meus eons

E pra quem teime em hesitar
Afirmo e ainda garanto
Com propriedade, portanto,
Pois vivo com dois anjinhos
De sete e quatro aninhos
Minhas filhas, meu encanto


 (Anderson)

01 abril 2014

Eu tento

Estes pelo menos são originais, e admitem às
máscaras que usam... 
Eu tento. Juro que tento.
O que me move, entretanto,
Sem dúvida... Ou nem tanto
É esta tal indignação
Que nem sei certo a razão
E que me tirou todo encanto

Dos sorrisos, um rascunho,
Apenas por camuflagem
Social camaradagem
Essas coisas triviais
Tão comum entre os iguais
Das quais não vejo vantagem

Abraços e tapinhas
E elogios exagerados
Paisanos ou engravatados
As máscaras tão convenientes
Alcunhando os condescendentes
Protegendo os desventurados

Às uso sim, com certeza,
Por livre conformidade
Tal qual toda sociedade
Sem ser puro ou inocente
Dos danados descendente
Abjetos da humanidade

Por detrás das máscaras somo todos iguais.
Ou não...
E ao firmar tal pensamento,
Até soa incongruente
Um escriba delinquente
Qual sujo em traje eivado
À falar de um mal lavado
Discursando hipocritamente

Porém esta é a lei do cão
Que medeia esta manada
Nesta rota planejada
Por quem nem ouso dizer
Entenda quem entender
Não há glória na debandada


 Não é por ser mascarado
Que deixo a visão turvar
Pois se esta vir a faltar
Então sim é chegada a hora
Do “venha, vamos embora”
Que confesso até almejar...

 (Anderson)

19 março 2014

Celebração

Esta foi uma pequena homenagem que prestei, em meu discurso de encerramento, aos queridos colegas do Curso de Oratória do qual participei entre os dias 10/03 e 19/03 pelo SENAC, o qual foi ministrado pela talentosa instrutora Maria José Andreacci Zuleger. Grato a todos pelos agradáveis momentos que compartilhamos!


Celebração

De fato somos calouros
Desde sempre!
Por certo que inda há medo
Nem tanto quanto mais cedo
Pois já colhem-se alguns louros

Cada qual com seus temores
Cá os viemos exorcizar
Pela busca de um bem falar
Já somos, pois, vencedores

Meus amigos valiosos
Diligentes, corajosos
Sentirei grande saudade

Dos momentos compartidos
Por nossa mestra regidos
E da nossa nova amizade

 (Anderson)

09 março 2014

Festa

Olhares vagos distraídos
Junto à risos embriagados
Com seus gestos desfigurados
Entes símios corrompidos

Mistura de sons e odores
Escarcéu e algazarra
Tudo em prol da dita farra
Turbilhão de turvas cores

Mas no fundo, bem no fundo
Há um só senhor do mundo
Aos corréus do cerne cavo

É o vazio que levam dentro
Nós, vis servos do lamento 
Conjunção de órfão e escravo

                                                         (Anderson)

06 março 2014

Gelo

Sinto as pontas dos dedos.
Face rosada, nem sinal.
Nem o vapor no hálito... Isso é mal...
Tremedeira, só se for por temor.
Calafrios de espanto ou horror,
Mas esse frio... De onde vem?
Um ar gélido, petrificante,
De sequela congelante,
Me sobe à espinha qual serpente,
Víbora sombria de olhar delinquente,
Que se enrola em meu cerne,
Impiedosa, inclemente.





Um sopro frígido ao pé da nuca,
De susto me volto num instante.
E, surpresa, o vazio restante,
Que me faz duvidar do óbvio
Da obviedade tão marcante,
Levando-me à um vil declínio,
Do assombro ao fascínio,
Sem saber de onde vem,
Esta névoa glacial,
Intocável, pura e mortal,
Que me encanta e me seduz,
De frieza doce e letal...



Oh, dúvida lacerante,
Que talha a cútis de minh‘alma
Qual navalha em lisa palma,
Congelando minha essência,
Destruindo a prepotência,
Deste tolo divagador,
Imprestável sonhador,
Iludido ao se encantar
Ao ver graça no perigo
Duma alma sem abrigo,
Que ao relento congelante,
Encontra o cabal jazigo.

(Anderson)

02 março 2014

Solitude que te quero bem

Não confunda solidão com
solitude! A primeira é por ignorãncia, a segunda por opção...
Há um paradigma comportamental que existe desde que o mundo é mundo. Ou, ao menos, desde que o ser-humano se tornou social. Trocando em miúdos: desde sempre. Que somos seres sociáveis, isso aprendemos já na escola. Ou antes. Temos a necessidade de viver em sociedade, afirmam os antropólogos. Almas gêmeas, metade da maçã, caras-metades... Romantismos à parte, estamos sempre à procura de complementos para nossa existência, o que geralmente se traduz na busca de um parceiro para vida à dois (ou à três, a quatro, depende da vontade de cada um em deixar uma prole exponencial. Ou não). Em suma, estamos à todo momento esquadrinhando opções que, teoricamente, nos tragam algum conforto psicológico, aceitação social ou simplesmente um sócio na empreitada existencial à qual estamos condicionados. Não raramente ouvimos depoimento de pessoas que, ao serem questionadas sobre o sentido da vida (coisa que deveríamos fazer diariamente!), acabam por correlacionar este fator à vida familiar, ou, melhor dizendo, à vida conjugal, afinal de contas definir “família” na atual conjuntura sociocultural em que a humanidade se encontra está cada vez mais complexo. A questão primordial, nesse caso, é o fato de as pessoas, de modo geral, estarem acondicionadas à um pensamento, EQUIVOCADO, de que só seremos felizes, ou só nos realizaremos, ou só encontraremos o sentido da vida estando acompanhados. No entanto, na contramão dessa convenção universal humana, inda que inconsciente, vemos a decrepitude dos relacionamentos conjugais, sejam eles longos ou breves, estáveis ou instáveis (isso mesmo, um relacionamento estável não necessariamente tem a ver com a felicidade ou plenitude dos cônjuges, tendo mais relação na verdade com o termo conformismo, ou mesmo comodismo e muitas vezes é apenas questão de conveniência. No geral, atualmente a definição “relacionamento estável” serve apenas para fins judiciais...). Nada mais comum hoje em dia do que encontrarmos casais vivendo de aparências, por mera conformidade, e os motivos variando desde questões financeiras (posses, bens materiais, etc.), bloqueios e traumas psicológicos ou até mesmo por puro status (este último, inclusive, está bem comum nos nossos círculos sociais mais próximos). Invariavelmente, qualquer que seja a causa, não vejo como não atrelar estes tipos de relacionamentos “teatrais” aos monstruosos problemas sócio comportamentais que nossa sociedade contemporânea apresenta. Sem a menor sombra de dúvida, pais e mães problemáticos e infelizes dificilmente criarão filhos de caráter forte e princípios bem definidos. À parte as predefinições karmáticas, que estão se tornando cada dia menos influentes (positivamente, digo), nos deixando a todos à pura mercê das influências do meio.
Mas deixemos a análise “psico-antropologica” de lado (se é que isso é possível...) e voltemos ao nosso paradigma. Me refiro especificamente à clássica confusão que fazemos ao não diferirmos SOLIDÃO de SOLITUDE. Antes que algum letrado em terminologias me crucifique, vamos às definições contemporâneas dos termos. Quando digo solidão, quero referir-me ao tão conhecido e, por que não dizer, querido sentimento vastamente difundido nas melosas letras de músicas e poesias de amor, cantado pelos boêmios, poetas, pagodeiros, sertanejos e até roqueiros mestres das dores de cotovelo (ok, peguei pesado). Esse sentimento que nos faz achar que precisamos necessariamente estar acompanhados para podermos ser completos. E, infelizmente, é o grande impulsionador de casamentos fracassados tão comumente encontrados aos “balaios” por ai. A pessoa sente um vazio, uma vontade de compartilhar, uma falta (e nem sabe do que...) e de repente, pimba! La está a sua alma gêmea, aquela pessoa agradável, bonita, inteligente, engraçada, esclarecida, alegre, perfeita (claro que estou exagerando, mas só para frisar) que por acaso você está saindo, ou namorando, ou acabou de conhecer, tanto faz, e é a solução para seus problemas. Casam (ou apenas partem para uma “união estável”, ta na moda hoje...) “Agora sim vou ser feliz”!  Só que não. O vazio continua. Se esconde por um tempo, mas volta. Assombra. Muda, mas nunca some... Por que isso acontece? Muito simples: não era de companhia que necessitávamos para solucionar nosso “problema”. Em verdade, nem tínhamos um problema, o que tínhamos (e temos) é um estado de espirito do qual não temos conhecimento, com o qual não sabemos lidar.
Que tal umas férias aqui? Tipo, uns 30 anos...
Um parêntese aqui (mais um, rsrsrs): em hipótese alguma estou me posicionando contrário ao casamento, união conjugal ou qualquer relacionamento à dois, e sim apenas expondo um fator determinante nos FRACASSOS destes quando realizados sem a devida compreensão, por parte de ambos, acerca dos sentimentos individuais da cada um.
O que acontece na prática, é que este vazio, ao qual chamamos solidão, até existe. E o afastamento mesmo da alguém querido nos faz sentir saudade, o que é prova de que a solidão é real. Porém, muitas vezes (muitas mesmo!) não é com um parceiro que vamos preencher essa lacuna. E quem consegue compreender isso, acaba por descobrir um novo sentimento, totalmente voluntário e sem relação direta com sofrimento. Um estado que, ouso dizer, somente os espíritos livres, as almas mais sábias conseguem alcançar. Mas a cada dia que passa é mais raro encontrar seres que compreendam isso. E, por amostragem, é menor ainda o número daqueles que vivem esse princípio. Encontrar alguém que realmente domine esta arte? Ai é bem provável que teríamos que dar um pulo ali, no Tibete. Conheço algumas pessoas que tem essas características. Claro que ainda não dominam, mas estão no caminho certo, o da compreensão, e por observação afirmo que sofrem mais com a pressão que a sociedade exerce, cobrando seus padrões de comportamento e tudo mais, do que com sua opção de isolamento. Está tão incrustada em nossa cultura essa questão social, que até existe um termo pós-moderno para definir esse tipo de pessoa reclusa que temos por ai: antissocial. E aqui temos outro grande equívoco. Uma pessoa optante da solitude, não necessariamente é antissocial, e vice-versa. Um antissocial está mais para alguém solitário ao extremo, que de tanto sentir falta de uma companhia que o compreenda, que o aceite, que o ame, acaba por isolar-se de tudo e todos, tornando-se muitas vezes inconveniente e até desagradável, e por consequência perde o feeling de lidar com pessoas, e isso, meus amigos, é exatamente o que o difere do amante da solitude. Aquele que vive em um isolamento voluntário, recluso por opção, geralmente o faz na busca de sua paz interior e  não tem dificuldades para lidar com os outros, pois já compreendera o significado de seus sentimentos e superara essa questão tão basal sobre necessidade de relacionamento, e sabe que isso é meramente um padrão social imposto pela sociedade. Obviamente que isto não torna suas vidas mais fáceis. Não necessariamente. A solitude existe a mais tempo do que imaginamos, e já foi mais comum do que supomos. Nos primórdios era fácil se isolar. Bastava que nos mudássemos para as montanhas, ou para uma floresta, um monastério até. E voilá, tínhamos um monge! Hoje não é mais tão simples assim. Não dá simplesmente para largar tudo e: #partiu montanha! E olha que tenho conhecimento de verdadeiros monges contemporâneos, que vivem suas vidas, tem seus afazeres, seus trabalhos, eventualmente famílias, e conseguem manter um grau de isolamento do mundo de dar inveja a qualquer shaolin. E isso tudo sem morar em uma caverna...

Que feio... Fazer isso com seus amigos
antisociais, digo, amantes da solitude!
Enfim, há que se fazer uma breve reflexão (#ficadica!) sobre esta questão, a qual considero de suma importância para aqueles realmente interessados em preencher estas tão famigeradas lacunas existências que tanto nos atormentam. O primeiro passo, eu diria, seria tomarmos mais cuidado ao ficarmos de bulling com aqueles nossos amigos “forever alones” (olha lá, sem ficar pensando em ninguém agora, hein!?) que gostamos de chatear com aquelas piadinhas toscas relacionadas à antissocial, postando memes de troll faces nas redes sociais e marcando eles, esse tipo de coisa. Não os desprezemos, pois, já ouvi de um sábio certa vez, “até entre os deuses existem aqueles que vivem isolados, no entanto, não raramente, é nesses que se encontram as essências mais puras e piedosas que possam haver”. Foi mais ou menos isso, acho. Todavia, talvez, apenas talvez, esses esquisitões sejam mais felizes no mundinho deles, sozinhos, do que nós acompanhados por todos os lados... Menos o de dentro...

26 dezembro 2013

Impressão

O que me atrai em ti são os olhos...
"The time...
Pequenas janelas voltadas ao que há de tudo
Cujas cortinas secretas  do pensamento
Encobrem os mistérios ocultos em tua mente

Tua face me surpreende...
Devagar, observo os finos traços de teus lábios
Suaves como se moldados por eras de paciência
E, brevemente, invejo o autor de tão sublime obra

Me faz calar ao ouvir tua voz...
Qual melodia, se faz sentir sem dar escolha
Dominando  minh'alma  a bel prazer
Como se dona e senhora do meu pensar

...it does not...
De tuas mãos almejo o toque...
Delicado ou rude, tapa ou afago, não importa
O simples contato faz eterno o breve instante
Numa eternidade finita para todo o sempre

Na tua pessoa me encanta o ser...
O ser que do fugaz olhar dos tolos se esconde
E somente se revela aos corações imaculados
Com seus nobres atos de total simplicidade


...back again."
E o que mais me cativa não é o que sei...
É justamente o que não sei, e então me ponho a pensar
Se o pouco que conheço de ti me impressiona tanto
Que de mim se em posse de teus mais belos segredos?

(Anderson)

15 dezembro 2013

Os 3 Espíritos de Natal... Ou quase isso

Ebenezer Scrooge: "Agora chegou sua hora,
chegou sua vez você vai pagar..."
Bem, essa não é exatamente a clássica história de Ebenezer Scrooge, o velho avarento e malvado que tem uma segunda chance quando é visitado pelos espíritos de natal do passado, presente e futuro. Em verdade, o título dessa postagem poderia muito bem ser apenas "Espirito de Natal", pois é desse "mito" que quero falar um pouco aqui. Mito, relativo à fato histórico ou lenda mesmo, pois o espirito natalino parece realmente estar morto, ao menos aquele de que me lembro quando era criança, isso não muito distante, há apenas uns 25 ou 30 anos atrás. Claro que não vou fingir que minhas lembranças natalinas de infância são todas lindas, maravilhosas e perfeitas. Infelizmente não há como apartar as memórias ruins das boas. Não dá simplesmente para apagar, por exemplo, aqueles momentos no mínimo constrangedores em plena reunião familiar (clássica...), quando a maioria dos parentes estão bêbados, contando piadas infames (muitas vezes sem graça), rindo e gritando asneiras todos de uma vez. Sem falar nas eventuais confusões ou brigas ocasionadas por algum "gambá" mais intrépido. Mas... Na medida do possível, procuro não me ater à estas lembranças desagradáveis, cujas quais inclusive atribuo grande parcela dos "créditos" da marcada característica anti-social que possúo.
No entanto, o que realmente despertou em mim a vontade de explanar algo sobre o natal aqui, foi um post com o qual me deparei outro dia no famigerado facebook. Resumidamente ele dizia que somos hipócritas por achar um absurdo ter que explicar aos nossos filhos o que é um casal homossexual ao passo que achamos normal explicarmos o que é o Papai Noel. Detalhe é que não citava o nome Papai Noel em momento algum, havia apenas uma foto de fundo dele no post em forma de cartão,  e a referência à ele era "um homem imortal em uma roupa vermelha que mora no polo norte e viaja o mundo inteiro em uma noite num trenó puxado por renas mágicas voadoras". Ok. Obviamente quem postou isso originalmente é claramente à favor do homossexualismo, e por mais que me coce os dedos, não vou entrar no mérito dessa polêmica contemporânea. O que me chamou a atenção de fato foi a maneira com que a pessoa abordou o mito do Papai Noel. Não me lembro ao certo quando deixei de acreditar no bom velhinho, provavelmente com uns oito ou nove anos, talvez aos dez,  mas sei que na tenra idade eu acreditava. Hoje, uma criança com esta faixa etária que acredite em Papai Noel é considerada praticamente uma aberração, tanto por crianças quanto pelos adultos. É sim, não é exagero! Talvez não seja regra geral, até porquê sempre há exceções, mas na grande maioria dos casos é assim que funciona, e a prova cabal disso é justamente essas manifestações nas redes sociais como o post que citei acima, ridicularizando uma tradição milenar em prol de uma ideia modernista deveras controversa, numa espécie de manipulação da opinião pública com base em tendências modais tão tênues quanto os argumentos que alicerçam sua estruturação.
Se apreciar boas fábulas é ruim, me considero
um verdadeiro pervertido
Não vejo essa questão simplesmente como uma mera opinião, onde alguns são contra e outro são a favor. A raiz do problema ( admitindo que seja um problema ) é muito mais profunda do que aparenta. O fato mesmo de começarmos a pensar que o Papai Noel é apenas um tipo de mentira descabida e fantasiosa que contamos aos nosso filhos, e que nossos pais contavam para nós, e assim sucessivamente com nossos antepassados, demonstra como os valores e princípios morais que norteiam nossas vidas estão sofrendo mutações drásticas e, ao meu ver, perigosas. Drásticas porquê as mudanças são tão gritantes que chegam a assustar à quem para para observar, numa velocidade jamais vista antes na sociedade humana. Perigosas pois a inversão de valores se tornou algo tão comum e banal quanto mudar o canal da tv, onde aquilo que não nos agrada aos olhos simplesmente é descartável. Sou redundante novamente ao dizer, como em outro post mais antigo aqui no blog, que estamos nos tronando cada vez mais superficiais, não temos visão analítica, não temos nem queremos ter paciência para pensar, somo filhos do imediatismo, o qual invariavelmente e obrigatoriamente nos presenteia com diversos "dons", sendo um deles a cegueira. Nos tornamos cegos para tudo que cause algum desconforto, seja emocional, comportamental ou físico mesmo. Evitamos a "fadiga" de ter que avaliar se aquilo que nos dizem é, no mínimo, plausível. Opinião? Pra que, se temos televisão? "O google é o meu pastor, e nada me faltará", lembrando uma piadinha infame que um amigo me contou la no tempo da faculdade ainda, quando a internet nem era tão...Tão isso que é hoje.
Acho interessante nos atermos à estes conceitos novos que estão nos apresentando às toneladas todos os dias, principalmente no que concerne às crianças. Mas acho ainda mais interessante (e assustador!) como não vemos ( olha os cegos imediatistas ai...), e na verdade sequer nos damos conta de como tudo está relacionado. A velha lei da ação-reação, ato-reflexo, causa e consequência. Peguemos as crianças como exemplo, já que as citei. Considero de suma importância a educação infantil, principalmente até os sete anos, que seria o período mais contundente na formação da personalidade e do caráter da pessoa, segundo especialistas. E o que vemos hoje em dia é aterrador, para não dizer outra coisa, quando observamos o comportamento das nossas crianças por ai a fora. Todos se entristecem e se chocam (não o suficiente, eu diria pelas reincidências que não cessam) ao presenciar uma criança mal-educada, birrenta, mal criada, e afins dando o seu show. No entanto, poucos de nós nos damos conta de como nós mesmo somos os influenciadores, os formadores desses pequenos futuros grandes problemas. Sim, pois se achamos a coisa mais normal do mundo que eles assistam novelas, filmes violentos e desenhos inapropriados ( na nossa companhia ), se achamos que não tem nada de mais em criar uma conta de rede social para uma criança de seis/sete anos, se não impomos limites de horários ( nem para dormir!), se dar uma palmada corretiva é crime, se ensinar um labor é abuso ou escravidão, se entupir de brinquedos é o mesmo que dar atenção, se achamos que tem que ir para missa ou para o culto mas nunca paramos para fazer uma oração sequer junto ao pé da cama com eles, se saber o hit do Michel Teló é legal e não saber a tabuada é normal... Bom, sinceramente minha gente, tem algo de muito errado em tudo isso. As crianças estão perdendo a inocência. Na verdade estamos comprando, roubando a inocência delas, trocando por tablets, note-books, video-games e celulares.
Não há mais crianças precoces, o que existe é uma cultura pop (podre) "teen" precoce. É claro que, com essa premissa e com grande parte da sociedade apoiando, fica muito mais fácil explicar à uma criança que uma união homossexual é apenas "duas pessoas (do mesmo sexo, se alguém ainda não sabe...) que se amam" do que ter de se esforçar um pouco para contar-lhe uma fábula inocente sobre um velhinho que presenteia às crianças (que se comportaram) de todo mundo, dando à criança a oportunidade de se familiarizar com a importância de sentimentos como o de partilha, altruísmo, benevolência, amor, compaixão, etc. ou seja, sinalizando como uma bússola moral, que com certeza influenciará na formação do caráter da pessoa. Obviamente, coloquemos o materialismo no seu devido lugar, aos apressado que possam vir com seu discurso de que "natal e Papai Noel são apenas agentes do consumismo moderno". Você precisa realmente dar aquele i-phone para seu filho? Por que não experimenta dar um carrinho ( nem precisa ser hot-wheels) ou uma boneca de pano? Isso dá trabalho, sabe, fazer algo útil. Temos que usar a imaginação, e instigar a deles. Dá muito mais trabalho do que simplesmente desvelar toda uma realidade que, de uma maneira ou de outra, virá à tona, mas ao seu tempo.
Cuidado: Cenas fortes...
Não apressemos as coisa. Não há necessidade de pular etapas. Como já disse um sábio uma vez: a natureza não dá saltos. Tudo tem um tempo de ser. Não há mal algum em montar uma árvore de natal junto com seu filho, ligar um "pisca-pisca", montar um presépio, cultivar a lenda do Papai Noel, desde que tenha um sentido, um fundo, um propósito real e nobre. Não vamos incutir em suas cabecinhas indefesas os mesmo problemas e medos com que temos que lidar agora que somos adultos. Não vamos substituir a pureza, a inocência das crianças por qualquer outra coisa que seja, pois não há equivalente! Acreditem, o brilho no olhar delas ao ouvirem uma história do Papai Noel, sobre seus feitos, a cartinha para ele contando que se comportou, é algo que não tem preço, mas exige um mínimo de esforço de nossa parte enquanto pais ou responsáveis. Então, se me pedirem o que é mais fácil, explicar à uma criança sobre um casal gay ou o Papai Noel... Bom, vocês já sabem a minha resposta.