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30 outubro 2013

Breve analise da Sociedade Mundial Contemporênea

"... O que vou fazer com essa tal liberdade..."
(credo, nunca pensei que iria usar letra de pagode...)
         Vivemos em um tempo onde a locução "liberdade de expressão", de tão batida e mal aplicada, já nem tem mais sentido real. Até por que, não há mais motivo  para tal, uma vez que vivemos em um mundo livre das ditaduras e censuras de outrora. Hoje o que temos visto por ai é uma liberdade de ação, de pensamento, de posicionamento (seja qual for o cunho deste posicionamento, do político à opção sexual), ou seja, está mais para "liberdade total".  Essa poderia muito bem tratar-se de uma premissa à ser defendida por algum antropólogo modernista. Mas eu pergunto: será? Será essa liberdade contemporânea, livre de qualquer limite, preceitos ou "preconceitos", algo positivo de verdade? Será real? Até onde se pode confiar nessa promessa, e digo mais, feita por quem? Seria esta uma simples etapa da evolução do pensamento humano? Teria alguma substância palpável?  Algum conteúdo plausível? Todos dizemos o que pensamos, porquê é nosso direito. Fazemos o que queremos, por que alguma lei nos ampara. Vamos aonde quisermos, pois já não existem fronteiras que nos detenham ( à não ser alguma guarda fronteiriça de algum país extremista qualquer. Esses não deixam passar! ), sejam elas virtuais ou geográficas, nada está livre de nosso alcance ou nossa gana.
            Está em voga hoje todo e qualquer assunto que diga respeito à princípios e valores, sejam eles quais forem: religiosos, sociais, culturais, políticos. Tanto faz o tema, o interessante é se posicionar! A favor ou contra, o que vale é o debate, que nunca esteve tão na moda. E, convenhamos, exceções à parte,  é sofrível observar o quão rasos somos ao nos "debatermos" por ai com esses assuntos, dos quais estamos cheios de argumentos "emprestados", sem fundamentação real, dos quais sabemos tudo pela bendita internet, sem experimentação alguma, apenas embasados em hipóteses e "achismos". Particularmente, não vejo nada de glorioso em tentar, à qualquer custo, enfiar goela à baixo uma opinião, sobrepondo-me aos outros e levando em conta apenas os argumentos que me sejam convenientes. Sim, pois essa é a definição de debate mais adequada que posso dar em vista do que se vê por ai hoje em dia. Além do mais, um debate, por mais saudável que seja, muito dificilmente ( só para não dizer que é impossível...) suscitará alguma terminação. Quando muito pode servir para influenciar os "fracos de pensamento", podendo levar à alguma conclusão precipitada, na maior parte das vezes.  
O fruto de um debate!
            Excepcionalmente, esta é uma forma de comunicação bastante apreciada, e aceita,  em nossa cultura pop moderna. E são nesses debates, virtuais ou não, onde podemos perceber as sutis ( ou nem tanto, pra falar a verdade...) demonstrações de como as pessoas se beneficiam da tal liberdade total que me referi logo acima. Valores e princípios que antigamente eram tidos como perenes, universais, eternos, hoje, graças ao "avanço" do raciocínio humano, nada mais são do que meros conceitos, na maior parte das vezes considerados ultrapassados. Se muito, podem ser vistos, de uma maneira vergonhosamente pejorativa,  como velhos preceitos ditados por algum ancião senil ou por uma cultura arcaica qualquer. Temos orgulho de nossa 
formação erudita, à qual sobrepuja implacavelmente quaisquer menções de algo que venha a arranhar nosso esmalte intelectual. Nem vou falar dos movidos pela pura ignorância... Enfim, como em um jogo, optamos pelo que nos é conveniente, baseados em experiências superficiais, somadas à uma incontrolável necessidade de saciar nossos desejos e ambições, por vezes guiados por um  instinto individualista, mas na maior parte do tempo influenciados pela opinião alheia. E assim escolhemos as "peças" que melhor se encaixem com o perfil "fake" que definimos para nossa vida. Enquanto isso,  conceitos reais, ou como prefiro chamar costumes,  tal qual o respeito e a gentileza, parecem ser hoje, de maneira incrivelmente inversa,  fatores desconhecidos pela maioria, ou pior, definidores de caráter fraco e deficiente, praticamente ofensivos ao nosso tão singular e gigantesco ego.

There's something wrong, mommy...
            Á primeira vista, tudo o que disse pode parecer tendencioso e carregado de preconceito. E talvez seja mesmo, tendo em vista os novos valores que foram e estão sendo implementados humanidade à fora, como um todo. Infelizmente ( ou felizmente!), simplesmente não consigo engolir tudo isso assim, "numa boa legal". Não há como deixar de questionar toda essa revolução sócio/cultural ou seja lá como quiserem denominar esta anarquia instaurada e legalizada que toma conta de todos os âmbitos de nossa sociedade contemporânea. Não é por que um comportamento, qualquer que for,  se tornou comum que automaticamente ele será natural! Ou será que sou eu que está com a visão turva, e todo o resto está certo? ? ? Desde quando violar o direito de todos em prol do benefício de alguns é "defender os necessitados"? O respeito é ao mesmo tempo um direito e um dever, que fique bem claro. Quanto maior o numero de leis,  maior o sofrimento de quem está sujeito à essas mesmas leis, já disse algum sábio... Existem coisas, antigas, que, se forem simplesmente abolidas ou ignoradas, trarão apenas o caos, onde quer que seja. Há muito tempo já que aprendi o seguinte: o que é errado, sempre será errado, mesmo que todo mundo faça; o que é certo sempre será certo, mesmo que ninguém mais o faça. Aonde está nos levando toda essa liberdade indomável? Já parou para pensar? Se não parou, deveria. Um último conceito bem simples , porém  universal: se não sabe pra onde está indo, como vai saber quando chegar? Só não me venham pedir para definir o que é certo e errado. Debatamos ( ou, debatemo-nos...) menos e reflexionemos mais. Ai, quem sabe, da reflexão saia alguma luz verdadeira.
Old fashion? Talvez,  mas: "Some things never change..."

22 outubro 2013

Feliz Aniversário


Happy birthday to you...
Um dia ordinário para se celebrar
Um dia comum como outro qualquer
Sem motivo concreto ou ilusório sequer
E mesmo querendo não há como olvidar

Aos tolos otimistas cativos da aparência
Um número à mais às muitas primaveras
Já os sábios do tempo que cruzam as eras
Descontam um dia no contar da existência

E aqui fico inerte, nem sábio, nem tolo
Buscando no alheio um ingênuo consolo
Perdido nas contas que a vida fatura

Talvez até chore, improvável que ria
Na falta do alento recorro à sabedoria
E que o tempo de conta de tanta amargura

                                                                                                  (Anderson)

11 outubro 2013

Provérbios

Dói mais a palavra contida que o verbo espargido
Inda que haja a máxima há muito pensada
Do arremesso da pedra ou da seta lançada
Se o falador der lado ao seu silêncio contido

Pois há os que com as mãos até fazem palestra
E os que com a boca ponderem a existência
Há os tansos do riso e os glutões da demência
E há poetas perdidos, palhaços sem festa

Sem nada a temer pois o medo é bem-vindo
Qual fogo à queimar, selvagem, sorrindo
Mais um combustível que um mero percalço

Assim segue o ciclo da vida escrita à mão
A insaciável vontade da pena do ermitão
Que torna e retorna, seguindo no próprio encalço

(Anderson)

06 outubro 2013

Trova do Buscador

Ainda procuro, pelo que nem sei direito
Mas procuro
Busco por algo que nem sei onde
Nem por onde anda
Pelo simples impulso da busca
Fazendo da busca o próprio impulso
E ando, e ando, e ando...
Pois se paro nem sei onde estou
E menos quem sou
Por isso ando, e ando, e ando...
Sinto que o faço em círculos
De um início que vai longe
Tão longe que ainda posso tocá-lo
Com um final que está logo ali
Tão perto que nem consigo vê-lo
E o tempo se esvai enquanto busco
Buscador que sou, ou que estou
Vejo os segundos morrendo
Sem nada poder fazer
Ainda que queira, sem querer
Fazendo da busca um pretexto
Desculpa para seguir buscando
Enquanto a inalcançável verdade
Impressa em meu ser
Continua como troféu aos fortes
Aos homens de vontade férrea
Que não perdem tempo buscado
Pois enquanto nos elemos à procura
Perdemos de vista o objetivo real
E o achado se torna impossível
É então que a busca e buscador
Em uma amálgama inquiridora
Torna-se uma prisão sem muros
Invisível aos olhos da carne
Sofríveis à visão da alma
Prendendo o buscador à sua busca
Em um ciclo sem fim
Qual cão correndo atrás da própria cauda
Como um vício incontrolável
Invencível e sutil
Que ao mesmo tempo que move
Aprisiona e instiga
E em meu barco, à deriva
Continuo a ver ao longe uma silhueta
Num horizonte distante
Em meio ao nevoeiro
Ora me alegra qual terra à vista
Ora me assombra como um monstro marinho
E assim vou
Andando, remando, seguindo
Com a inebriante e inventiva sensação
De um dia chegar à algum lugar

(Anderson)

04 outubro 2013

Quimera

Essa noite  tive um sonho...
Sonhei que podia voar
Cortando os céus de um horizonte à outro
Sentindo a brisa da liberdade batendo em meu rosto
E como criança eu brincava e sorria
De alegria, medo e euforia
Mas no fundo eu sabia...
Sabia que era apenas um sonho

Essa noite tive um sonho...
Sonhei que tinha uma estrela
E com ela iluminava todo o universo
Extinguindo para sempre todas as trevas que houvessem
E como criança eu olhava e sentia
Com alegria, medo e satisfação
Mas no fundo eu sabia...
Sabia que era apenas um sonho

Essa noite tive um sonho...
Sonhei que o mundo era paz
Que as pessoas se amavam e se respeitavam
Sem malícia, sem arrogância, sem ganância, sem maldade
E como criança eu amava e agradecia
Com  alegria, medo e emoção
Mas no fundo eu sabia...
Sabia que era apenas um sonho

Essa noite tive um sonho...
Sonhei que era um titã
E o mundo todo cabia na palma da minha mão
E que me fora dado o poder de decidir o futuro do homem
E como criança eu  hesitava e temia
De alegria, medo e dúvida
Mas no fundo eu sabia...
Sabia que era apenas um sonho

Essa noite tive um sonho...
Sonhei com solidão
Que andava à ermo em meio a uma multidão sem fim
Com pessoas sem rosto que me cumprimentavam como máquinas
E como criança eu  chorava e corria
De tristeza, medo e desespero
Mas no fundo eu sabia...
Sabia que era apenas um sonho


Essa noite tive um sonho...
Sonhei que estava frio, muito frio,
E o frio provinha das caveiras ao meu redor,
Um ar gélido que congelava, desde o coração até a alma.
E como criança eu calava e tremia
De tristeza, medo e dor
Mas no fundo eu sabia...
Sabia que era apenas um sonho

Essa noite tive um sonho...
Sonhei que era feliz
Que soltava gargalhadas sem motivo aparente
Como um louco desvairado, transbordando de alegria e felicidade
E como criança eu pulava e cantava
De alegria, amor e paixão
Mas no fundo eu sabia...
Sabia que era apenas um sonho

Essa noite tive um sonho...
Sonhei que fui ao céu
E lá havia um ser, num trono bonito cercado de anjos
E me fitou com ternura, tirando-me todas as dúvidas com apenas um olhar
E como criança eu acreditava e via
Com alegria, coragem e inocência
Mas no fundo eu sabia...
Sabia que era apenas um sonho

Essa noite tive um sonho...
Sonhei que não tinha mais sonhos
Que o mundo era caos, que estava sozinho, preso, perdido na escuridão
Que o sol se fora, que não podia sorrir, que estava frio, que era pequeno
E como criança eu chorava. Só chorava
Com medo, dor, desespero. Desânimo
Pois não sabia se no fundo...
Aquilo era apenas um sonho...

Essa noite... Não sonhei
Mas tive uma visão, ou talvez alucinação
Vi um velho homem, sujo e maltrapilho , arqueado com o peso da sabedoria
Que disse :“A esperança é o alimento da alma.Quando ela faltar, todo o resto padecerá.”
E como criança eu novamente chorei
Mas desta vez de alegria, otimismo e segurança
Pois agora sei que os sonhos jamais vão acabar
Enquanto houver esperança...

(Anderson)

01 outubro 2013

Sociedade dos poetas vivos

As vezes sempre...
Disseram que a poesia é uma linguagem universal. Bom, não sei ao certo se disseram, ou se, como costuma escrever um amigo, "li por ai". Na verdade estou em duvida se vi isso em algum lugar mesmo ou inventei... Como costuma dizer outro amigo, "whatever". Em todo caso, isso é algo bem interessante. Se é realmente universal, raramente ela é como o inglês, que dizem ser a língua universal contemporânea, onde todos sabem do que se trata, alguns falam/leem /escrevem e poucos dominam ( numa comparação com o todo da população, que fique claro). Mas na maioria do tempo ela, a poesia, pode ser comparada mais fielmente com o latim, que também é uma língua que já foi universal. Ou pelo menos bem difundida, e hoje sequer é oficial de povo algum. Ou seja, língua morta. Ou morta-viva, segundo discussões de alguns linguistas mundo a fora, em virtude da mesma ainda ser estudada. Na prática poucos falam/leem/escrevem e raríssimos dominam. Exatamente como acontece com  poesia, esta pobre órfã pobre. Poético isso... Não! Tosco.
A escrita que prolifera e predomina na sociedade contemporânea, sendo praticamente um monopólio intelectual (ou nem tão intelectual assim...) é o texto comercial. Particularmente tenho sérias reservas quanto à escritos "comerciais", ainda que já tenha sucumbido umas poucas vezes à ela no passado. Me refiro a textos em geral, poemas, propagandas, letras de musicas ou poesias ( essas menos...) desenvolvidos intencionalmente para agradar as massas. Feitos pra vender. Pop. Às renego por princípios... Talvez. Mais provavelmente porque não me agradam mesmo. Para ficar mais claro, chamo de comercial os textos intencionais, encomendados, direcionados. É como um discurso político, onde cada palavra, cada frase e cada expressão são meticulosamente elaboradas no intuito de manipular as reações dos ouvintes/expectadores. Sem inspiração alguma. Ou , pior ainda, são simplesmente cuspidas num papel ( ou em uma tela ) sem nenhum cuidado, e , não especificamente no caso de discursos, pode se até identificar uma ou duas rimas esdrúxulas e sem o menor sentido.
Utopicamente real
Em tempos atuais é ridiculamente fácil nos depararmos com tais textos. Identificá-los então chega a ser ofensivo de tão simples. O expoente máximo desse sacrilégio literário que toma conta do mundo hoje é a música, seja ela nacional ou internacional. Sinceramente não consigo definir exatamente o que sinto ao ouvir uma letra de música dessas que estão nas paradas de sucesso por ai. É um mix entre pena, tristeza e revolta. Não da nem para dizer que é raiva, pois é tão medíocre que sequer consegue despertar um sentimento de magnitude tão forte como os da ira. Não vou definir nenhuma categoria musical aqui, pois essa calamidade literal é como um vírus letal, que se propaga indiscriminadamente por quase todos os gêneros musicais, infectando qualquer um que desavisadamente se exponha aos seus efeitos nocivos. Não é uma questão de ser ou não eclético, musicalmente falando. Estou falando de conteúdo, de sentido maior. Não de ritmo ou melodia, o que também é importante, mas não primordial. Palavras não são mais sentidas, são selecionadas, num processo industrial, frio e mecânico. As rimas tem que ser "quentes", não belas. A música tem que causar estrondo, não tocar no fundo profundo de nossa alma. E quando toca  ainda é de forma a despertar sentimentos inferiores, os quais infelizmente sequer sabemos identificar, quanto mais definir. A questão é que parece que fazemos parte de uma nação ( ou toda uma humanidade!) de débeis-mentais, sem senso algum de profundidade existencial, sem noções básicas de cultura, de valores reais e perenes, ou, sendo mais radical, providos de uma inteligência intelectual duvidosa. Nem falar em inteligência emocional, pois logo veem os entusiastas do neo-romantismo para defender a causa. Esses do "pega-me-pega", das declarações de amor em público ( de preferência bem alto, num love-car ) ou de perfis de rede social compartilhado (aqueles que ao invés de estar escrito no nome do perfil "Adão da Silva" está la: "Adão e Eva da Silva". Vai saber, de repente são siameses...) Emfim, romantismo hoje tem mais a ver com melodrama de novela ou seriado do que com suas reais origens, as quais por natureza já são de certa forma afetadas por se tratar de uma visão fantasiosa da realidade, muito mais afetadas atualmente, diria, e sinceramente não vou ficar aqui discorrendo, mas se quiserem uma definição formal, ta ai no link. Se já tenho ressalvas sobre o romantismo clássico, esse que permeia nosso ar hoje então, ah, me perdoem, mas é completamente intragável.
Fica a expectativa de que os "poetas mortos" da
 sociedade ressurjam de suas alcovas bancárias...
Mas falávamos sobre poesia, e para não perder o foco, voltemos ao assunto. Em verdade, não conheço muitos poetas nos dias de hoje. Conheço uns quantos pretensiosos, e nem próximos à mim são, por sinal. Mas tenho dois grandes amigos, estes sim próximos, que merecem levar esta alcunha. E com mérito. Um é poeta clássico Giovano Ferreira), mestre de rima e senhor das analogias fantásticas, e inclusive já figurou neste humilde blog dando a graça de uma de suas poesias. Em breve postarei outra, com o devido consentimento desta vez ( rsrsrs ). O outro, um grande escritor anônimo ( por teimosia!), domina a escrita livre com seus textos épicos orientais de forma mestral (Adelir Baldin). Infelizmente os dois parecem ter aposentado a pena... Se não for assim, estão guardando suas obras para si mesmos, pois à tempos não leio nada de ambos. Uma lástima, pois seu potencial é incrível. Entretanto eu os compreendo, entendo sua clausura literal. Pelo menos acho que sim. Nossas vidas passam em ritmo acelerado, como se o fast-foward estivesse ligado o tempo todo, e sem botão de off . Mal temos tempo de cumprir com nossos deveres profissionais e pessoais, e muitas vezes ainda tem os sociais. Isso quando não temos outros deveres extras, como políticos ou quem sabe os "extra-conjugais" ( há quem diga que estes também são sociais, ou até pessoais... ) e, por que não, os ilegais ( hoje é comum). Questão de prioridade, alguém pode falar. Concordo. Tempo é questão de prioridade mesmo. Mas o fato é que não há mais tempo para a poesia. Não é mais tempo de poesia. Já houve um, mas vai longe. Falar em prioridade nesse caso então, seria como arrumar tempo para estudar ufologia ou atividade paranormal. E tenho certeza que desses três itens a poesia ficaria em terceiro lugar  na ordem prioritária, bem longe do segundo, qualquer que fosse.
Alguem pode apontar o erro???
Mas a palavra de lei hoje é sim prioridade. Entretanto, essas prioridades é que me preocupam. Ninguém sequer tira um tempo para ler uma poesia, quanto mais saber "para que serve". Pois eu digo para que sere. Para nada. Nada disso que estamos acostumados a ver, provar e por preço. Nada que se possa estipular um valor. Nada que se possa medir. Existe para ser admirada, sentida, vivenciada até. Mas não entendida, catedraticamente falando. "A poesia é o alimento da alma", segundo Artur Moreira. Simples assim. No entanto, hoje pena e espada tem o mesmo peso e medida, como dantes, mas não servem de muita coisa, que não de ornamento em museus empoeirados. Mas é assim mesmo , acho... E assim caminha a humanidade, com uma perna manca e outra faltando, toda estropiada e de marcha a ré, mas sem perder a pose! Não creio que os passos sejam de formiga, na verdade estão mais para saltos de puma. O problema é a direção em que está indo...

28 setembro 2013

Mais de 1500 visualizações e nenhum comentário... Ou está tudo tão perfeito que ninguém ousa comentar, ou não... 

Oh duvida cruel... Ou não.

26 setembro 2013

Falando em vida... Que me diz sobre a morte???

Todos deveríamos nos preparar para morte. Isso faria toda diferença em nossas vidas. E quando digo todos, obviamente me incluo, pois em verdade não o faço, apesar de esta vira e mexe, com uma certa regularidade até, pulular minha mente torpe em forma de pensamentos, digamos, não tão corretos. Aqui no ocidente, em especial,  pensar em morte, falar em morte, estudar a morte é coisa pra louco. Só de citar a palavra morte já causa arrepios em muita gente. Além do que falar, pensar, etc nisso não nos torna mais preparados para lidar com tal. Interessante, não? A única certeza que podemos ter em toda a vida, e o que fazemos? Preferimos ignorá-la, como se fosse um tipo de maldição ( e olha que talvez até seja...) ou, pior, como se nunca fosse acontecer. Triste, mas verdade. Se preparar para morte vai muito além da mera especulação ou curiosidade sobre o assunto. Tampouco tem a ver com conhecimento de causa simplesmente. Envolve compreensão, o que é bem diferente.
No oriente a realidade das pessoas é bem diferente da nossa, pelo menos no que se refere ao oriente clássico. Tanto na Índia como na China, por exemplo, as crianças são instruídas, ensinadas, e disciplinadas desde cedo a lidar com a morte da mesma forma com que lidam com a vida. Não como se fosse o fim de algo, mas como realmente é: uma etapa pela qual todo ser vivo passa. Um processo transitório. Tão transitório quanto a própria vida o é. E esta forma de pensar tem como base um princípio hoje até bem conhecido (superficialmente!) por nós, ocidentais, que é o princípio do desapego. Virou até chavão de loja virtual ( "desapega, desapega! OLX"). Em verdade o desapego, quando compreendido e encarnado por um indivíduo, ou seja, quando alguém realmente o pratica, tem a capacidade de transformar radicalmente desde sua maneira de agir/pensar/sentir até todo o ambiente social, profissional ou pessoal a sua volta. Veritas! Mas não se empolguem. Isso é difícil pra caramba... E digo pois já tentei. Tanto a doutrina gnóstica, da qual já fui estudante, quanto o próprio budhismo tem essa premissa, a do desapego, como primordial. E, francamente, não é para os fracos. Cristãos (católicos ou evangélicos), espíritas,  muçulmanos, agnósticos... Emfim, perdoem-me os religiosos ou anti-religiosos, mas estão todos na mesma barca. A da ignorância, seja ela completa ou parcial (a maioria massiva na primeira opção, diga-se), pois isto vai muito além da religião -  ou da negação da mesma - e está ligado intimamente às origens de toda existência humana. E não digo olhando de cima não, pois não me considero forte, e acho até que é pior aquele que sabe e não faz do que o que não sabe. Pelo menos o peso é diferente. Caso alguém sinta algum anelo em saber exatamente do que se tratam essas doutrinas, entrem nos links acima marcados e seja auto-didata, pois não vou aprofundar nada aqui. Quer saber? Corra atrás. Criticar as coisas é fácil. Difícil é percorrer todo um caminho antes de querer adivinhar o que tem no final dele, mesmo que seja para ver que não era onde queria chegar e voltar ao inicio. Os holistas, entusiastas imparciais. Estes tem meu respeito, mesmo que possa não concordar com suas crenças. Só não me venha dar aulas sobre maratona olímpica quando nem sequer correu seus primeiros 100 metros rasos. Livros também estão cheios de teorias, e sequer saem do lugar.
Um anjo da morte
Na verdade, o que me impulsionou a ( plagiando Herasmo) escrever essas mal traçadas linhas, ainda que não à mão,  foram dois, como direi, incidentes ocorridos essa semana, nos quais de uma maneira ou de outra, acabei por ter um vislumbre da morte diferente do cotidiano, por assim dizer. Em ordem inversa, na quarta feira, 25/09, sofri um acidente com o automóvel da empresa em que trabalho. Não sofri muitas escoriações , mas poderia ter sido bem, bem pior. Para resumir, estava em uma estrada do interior, em velocidade acima do que deveria, cerca de uns 70 km/h, quando o carro ficou instável ao passar sobre algumas pedras soltas que haviam na beirada da estrada. Então perdi o controle do veículo que atravessou na via e acabei caindo em uma vala de uns 4 metros de profundidade. Bati de frente com bastante violência na lateral da valeta, destruindo a frente do carro. Por sorte ( será?) não foi de lado, pois provavelmente não estaria escrevendo isso aqui agora... Bati a cabeça e o abdômen, mas, como disse antes, poderia ter sido pior. Estava sem sinto, detalhe... Logo, se tivesse sido de lado... Got it? Não posso deixar de pensar que fui "rondado" pelo anjo com a gadanha, uma vez que o acidente causou danos de grande monta no veículo, e segundo meu patrão, nasci de novo. Achei meio exagerado, mas... Me veio a mente a morte. No entanto, como disse, esse foi o segundo fato que despertou pensamentos funestos em mim nos últimos dias. Com certeza o mais intenso, por ser eu o protagonista. Mas o primeiro, devo admitir, me fez pensar com maior profundidade.
Scarry...
No domingo último, 22, um jovem rapaz, amigo de amigos meus, o qual na verdade vi pessoalmente apenas uma ou duas vezes, sem nem trocar palavra, cometeu suicídio. Enforcou-se na varanda da sua casa. Segundo familiares, tomava remédio controlado, ou seja, já sofria de algum distúrbio. Bem, não vou entrar em detalhes, até porque não estou muito a par. Também vou (tentar) evitar julgamentos. Devo admitir que pensamentos autodestrutivos já vagaram esporadicamente por minha mente (não disse que era torpe?) e houve uma época em que pensava que "para se matar o cara tem que ser corajoso". E isso foi ponto passivo por um bom tempo para mim. Mas não vejo mais dessa forma. Creio piamente que não tem nada à ver com coragem essa questão suicida. Bem pelo contrário. É preciso chegar em um estado de total desânimo, descrença, desmotivação. Vários "des" se encaixam aqui. Claro que tem a tão em moda depressão também, que em verdade é a personificação de todos esses "des". E os caminhos que levam à esse final, o de tirar a própria vida, são tão variados quanto as raízes próprias da depressão. Peço licença agora aos psiquiatras e agnósticos de plantão, mas  a melhor definição de depressão que já me deram foi a de que "depressão é falta de deus". E acreditem, isso não tem nada a ver com religião. Não da forma com que estamos acostumados a ver. Enfim, é esse vazio colossal que toma conta do interior da pessoa que, em suma, pode-se dizer que é essa falta de deus. Bem resumidamente mesmo. E isso tudo tem a ver com covardia, e não com coragem. Não é preciso ter coragem para calçar uma arma na boca e puxar o gatilho. Só é preciso estar lotado de "des". Cheio de vazio. Ou com um litro de pinga nas guampa, dizem que também funciona. E, bom, se não tem a ver com coragem, obviamente diz muito sobre covardia. Sem julgamentos, sem condenações. Nos tornamos covardes ao evitar as pessoas. Ao evitar os problemas, protelá-los. Ao vermos aquele copo com água pela metade como meio vazio, ao invés de meio cheio. Ao culpar os últimos minutos do filme por seu fracasso, só porque não foi como esperávamos, ainda que achado um épico durante as duas horas e meia anteriores. Ao nos tornarmos intolerantes com tudo o que não é do nosso agrado, e contra à tudo que não "simpatizamos". Nos tornamos covardes quando preferimos os atalhos sutis ao invés do longo e entediante ( assim pensamos, não é mesmo? ) sendeiro da nossa jornada. Entendam, para falar de algo com alguma propriedade, assim me ensinaram, é preciso que isso "nos conste", ou seja, temos que ter alguma experiência, mínima que seja, no assunto. Por isso, não se ofendam, pois ao discorrer sobre todo esse processo de "produção" de um covarde, é de cadeira... Em todo caso, nunca consegui chegar ao nível de "coward master". De toda forma, busco, sempre que posso, manter em mente um mantran pessoal que um amigo me ensinou, que segundo ele o ajuda bastante, e que se resume em "apesar de tudo a vida vale a pena".
Um ritual seppuku
Uma coisa interessante que observei sobre os suicidas, é que na maioria das religiões estes se dão mal. Ou, pelo menos, não se dão muito bem. Quem tira a própria vida no cristianismo e judaísmo, por exemplo, sem chance de ver São Pedro. Destino: inferno ( cada qual ao seu estilo, claro). Espiritas dizem que os próximos ciclos do indivíduo serão muito mais difíceis. No budhismo é onde encontramos até uma certa tolerância, no caso de "suicídios honrosos". É uma questão de interpretação, pois á bastante diferença em um homem depressivo que corta os pulsos para se livrar daquilo que não consegue lidar para, por exemplo, um samurai que realiza um ritual seppuku. Até o próprio islamismo, o puro e clássico, não esse afetado por pensamentos contemporâneos terroristas, condena o suicídio. Bom, quem leva sorte nisso são os ateus e agnósticos. Estes estão acima do bem e do mal, e podem escolher se querem ira para valhalla, terra do nunca ou renascer como um Na'vi ( perdoem a piada, mas gostaria de ouvir o que alguém que se diz "isento de crenças religiosas" pensa sobre isso. Pra onde vamos, de onde viemos... Sério.) Particularmente penso que por trás de todo mito existe um fundo de verdade. Logo...
"Só seguir a segunda estrela a direita..."
Finalizando, a morte deveria estar mais em voga em nossas vidas. Da maneira certa, claro. Creio que o apego à vida é a causa maior que leva às pessoas a pensarem ( e fazerem! ) em tirar a própria vida. Pode parecer um contra-senso inicialmente, mas reflitamos: se ao invés de achar que podemos "acabar com nosso sofrimento" ao findar a própria vida, soubéssemos que estas nossas penúrias, além de ridiculamente insignificantes diante do todo, são passageiras e unicamente provenientes de nossa incapacidade de compreensão de tudo o que acontece a nossa volta, e de nós mesmos também, tornaria tudo sensivelmente mais simples do que fazemos parecer que são. Ou seja, se pensamos que acabar com a vida pode resolver algo, é porque à valorizamos da maneira errada, e não nos damos conta de que ela sequer nos pertence, ou mesmo exista. A vida em si É. Nós meramente ESTAMOS. E o único lugar em que ser e estar é a mesma coisa é na conjugação do verbo to be, da língua inglesa...




22 setembro 2013

Dama Incompreendida

Revela-te, oh veraz beldade
Dos ímpios terror andante
O retorno de Perséfone
Aos doutos alívio cessante
De todos derradeira verdade 

Temida por almas impuras
Pelos sábios contemplada
De Hades a eterna amada
Rainha das hostes escuras

E  infalível é o seu advento
Reza o ancestral juramento
O que dispensa o seu buscar

Pois de ti ninguém se esquiva
Salvo imortais à deriva
Seu gadanho irá alcançar

(Anderson)

10 setembro 2013

Mensageiro dos Sonhos

Esta poesia escrevi, há mais de uma década, para uma pessoa que fora muito especial para mim um dia. Hoje, à ofereço para minhas amadas filhas, Bela e Bia, minhas "pequeninhas".
Bela e Bia, minhas pequeninhas! ^^



De asinha  emplumada,
E cabelo dourado,
Pequeno amiguinho,
Tão bom, tão danado.

Me olha e me cuida,
Com olhos atentos,
Zelando meu sono,
Ouvindo os lamentos.

Pequeno em tamanho,
Imenso em valor,
Poder sem igual,
Em ternura e amor.

Ao lado da cama,
Em meu pensamento,
Me faz um carinho,
Dos sonhos o alento.

Por vezes me acalma,
Consola e anima,
Guardião invisível,
Meu mestre de rima.

Sem nada exigir,
Sem muito querer,
Apenas tentando,
A mim proteger.

Guiando meus passos,
Segura minha mão,
Abranda meus tombos,
Suaviza o chão.

Olhinhos de mel,
Sorriso malandro,
Alegre  e altivo,
Está sempre cantando.

Não usa palavras,
Mas fala  com calma,
Com doces canções,
Que calam na alma.

Está sempre comigo,
Sem mesmo eu notar,
Me dando conforto,
Sem nada cobrar.
  
Armado ele vai,
De harpa e furor,
Com ordem do Pai
Repleto de amor.

Tão meigo, tão doce,
Não há nada igual,
 Me faz tão feliz,
Por dom natural.

Da pele rosada,
Ou loura ou morena,
Mas sempre singela
Faceta serena.

A ti peço e rogo,
Amigo encantado,
Pra nunca faltar,
Estar sempre ao meu lado.

E agora agradeço,
Anjinho amigão,
Por ser tão fiel,
Ao meu coração.

(Anderson)

06 setembro 2013

Forçosa Utopia

Time's up...
Muitos tombos nos aguardam. Muitos pedras nos espreitam.
Muitas batalhas nos esperam. Muitos motivos para entristecermos.
Barreiras a serem vencidas, ou perdidas.
E há segredos para não serem contados. Segredos para serem segredados.
Mas ainda assim, vale a pena viver.

A estrada é longa. A vida é curta. O tempo não é aliado.
A história nos devora. E há sempre alguém nos estudando.
Estudando o que fizemos, o que fazemos e o que faremos.
E tudo isso é assustador.
Bem assim, mas vale a pena viver.

Nos sentimos perdidos, e achados. Alguém quer nos encontrar, mas não deixamos.
Sentimos culpa, dor, ódio, medo, tristeza, dúvida. E tudo parece desmoronar. De uma só vez.
E acabamos esquecendo de uma coisa: a coroa da moeda.
A contra parte que nos faz sentir alívio, conforto, amor, coragem, alegria.
E é por isso que vale a pena viver.

Esquecemos de querer . Esquecemos de lembrar. Esquecemos de esquecer. 
Esquecemos de errar por querer. Esquecemos de acertar sem querer.
Optamos pelo fácil, tornando tudo mais difícil.
A idade avança. O relógio atrasa. A poeira cobre o manto ancestral.
Ainda assim vale a pena viver.

O passado adormece. O presente enlouquece. O futuro envelhece.
É complicado ser simples. Nada espera. Tudo impera.
O amanhã é um mero reflexo de ontem nas  dia de hoje,
Num espelho quebrado que reflete uma verdade distorcida.
Mas, mesmo assim, vale a pena viver.

Numa eterna busca pelo que encontrar, andamos.
Sem expectativa, mas com uma esperança inexplicável.
Juntos, em um monólogo coletivo, falamos de nós mesmos.
Com pessoas, e automóveis, e  mesas, e livros invisíveis.
E vale a pena viver.

Lemos latim falando em fé, sem saber no que crer.
Cremos que há um motivo maior, mas não sabemos e não nos interessa saber qual.
Mentimos por covardia ou ironia, e até por alegria, mas mentimos.
E tudo acaba no final, bem ou mal.
Por isso vale a pena viver.

Nos julgam as justiças, do homem ou não.
E nos culpam, nos absolvem, nos condenam. O tempo todo.
Pagamos pelos crimes que cometemos, e pelas promessas que cumprimos.
Somos responsáveis pelo que nos perguntam e pelo que não nos respondem.
Mas, ainda assim, vale a pena viver.

Catástrofes, cata-ventos, cadáveres, cadastros, cadeados.
Camaleões sem cores que nos contam como a vida é. Ou não é.
Simples metáforas que não nos ensinam nada de inculto.
E esperamos que tudo um dia melhore. Um dia...
E a canção continua, doce e mortal...Por que deve valer a pena...

(Anderson)

05 setembro 2013

sobre Augusto, o dos Anjos

Gênio incompreendido.
O próprio
Muito além do seu tempo
Muito aquém de ser entendido
Quanto mais aceito
No seu tempo, no meu tempo
Em qualquer tempo
Ninguém que o compreenda
O transmite
Pois o fato próprio
De assim percebê-lo
Por si só é suficiente motivo
Para não perpetrá-lo
Quiçá concebê-lo

(Anderson)

01 setembro 2013

Chauvinismo Poético

Nós ou ou tempo? O que realmente está esgotando?
Minhas palavras soam tristes, eu sei.
Ao menos desprovidas de entusiasmo,
Em parte pessimistas, faltantes de alegria.
Na melhor das hipóteses, ardidas,
Rudes. Estranhas ou até complexas.
Desconexas, as vezes
Complicadas em prol da rima,
Rimadas para dar sentido...
...Ao que não tem sentido.
Mas nem sempre foi assim.
Também não sei bem como foi,
Só sei que era diferente
Pois tudo é sobre sentir,
E assim sou redundante uma vez mais,            
E nem tem como ser de outra forma
Pois tudo é cíclico, já diz o infinito.

É tudo sobre sentir...
Isso resume e explica,
Sem  dar muita explicação, é certo
Complicado sempre foi. Sempre fui.
Sabendo que o segredo é ser simples,
Não o sou, por quê sou assim.
Mas nem sempre fui. Nem tanto.
Ou menos, talvez. Mas era.
Pelo menos assim pensava,
Por que nem pensava!
Pois, como falar de água,
Se tudo é fogo?
Não se enche um copo cheio,
A menos que se esvazie antes.
Preciso derramar...
Pois é tudo sobre sentir.

É fácil falar de amor, de risos, de romance.
Difícil é falar a verdade.
Do frio, das dores, da inveja.
Da vida e da realidade (que não são a mesma coisa!)
Não que não sejam verdades, mas...
É verdade se não levo dentro?
Saber a verdade não faz diferença,
Se não a realizamos dentro de nós.
Esse é o desafio.
E quem sabe a verdade de verdade?
São tantas... E não são ao mesmo tempo.
No caso, só estou dizendo.
Se tenho dentro, já nem sei dizer...
Mais provável que não.
Se fosse diferente,
Bom, seria diferente.

Foi-se o tempo de divagar,
Mas tolo que sou, divago.
Os caminhos todos levam ao mesmo destino
Para quem está perdido,
E da verdade conheço a sombra.
Sem tê-la, à plagio,
Com palavras e discursos,
E versos e rimas e tudo.
Sem ter o que fazer,
Escrevo. Pois se voasse, voava.
E nesta prisão sem muros
Permaneço aprisionado a mim mesmo
Percebendo indiferente, mas afetado,
Os olhares atentos dos entendidos e desentendido,
Que a minha volta sequer reagem,
Ocupados que estão, vivendo...

(Anderson)