Wikipedia

Resultados da pesquisa

26 setembro 2013

Falando em vida... Que me diz sobre a morte???

Todos deveríamos nos preparar para morte. Isso faria toda diferença em nossas vidas. E quando digo todos, obviamente me incluo, pois em verdade não o faço, apesar de esta vira e mexe, com uma certa regularidade até, pulular minha mente torpe em forma de pensamentos, digamos, não tão corretos. Aqui no ocidente, em especial,  pensar em morte, falar em morte, estudar a morte é coisa pra louco. Só de citar a palavra morte já causa arrepios em muita gente. Além do que falar, pensar, etc nisso não nos torna mais preparados para lidar com tal. Interessante, não? A única certeza que podemos ter em toda a vida, e o que fazemos? Preferimos ignorá-la, como se fosse um tipo de maldição ( e olha que talvez até seja...) ou, pior, como se nunca fosse acontecer. Triste, mas verdade. Se preparar para morte vai muito além da mera especulação ou curiosidade sobre o assunto. Tampouco tem a ver com conhecimento de causa simplesmente. Envolve compreensão, o que é bem diferente.
No oriente a realidade das pessoas é bem diferente da nossa, pelo menos no que se refere ao oriente clássico. Tanto na Índia como na China, por exemplo, as crianças são instruídas, ensinadas, e disciplinadas desde cedo a lidar com a morte da mesma forma com que lidam com a vida. Não como se fosse o fim de algo, mas como realmente é: uma etapa pela qual todo ser vivo passa. Um processo transitório. Tão transitório quanto a própria vida o é. E esta forma de pensar tem como base um princípio hoje até bem conhecido (superficialmente!) por nós, ocidentais, que é o princípio do desapego. Virou até chavão de loja virtual ( "desapega, desapega! OLX"). Em verdade o desapego, quando compreendido e encarnado por um indivíduo, ou seja, quando alguém realmente o pratica, tem a capacidade de transformar radicalmente desde sua maneira de agir/pensar/sentir até todo o ambiente social, profissional ou pessoal a sua volta. Veritas! Mas não se empolguem. Isso é difícil pra caramba... E digo pois já tentei. Tanto a doutrina gnóstica, da qual já fui estudante, quanto o próprio budhismo tem essa premissa, a do desapego, como primordial. E, francamente, não é para os fracos. Cristãos (católicos ou evangélicos), espíritas,  muçulmanos, agnósticos... Emfim, perdoem-me os religiosos ou anti-religiosos, mas estão todos na mesma barca. A da ignorância, seja ela completa ou parcial (a maioria massiva na primeira opção, diga-se), pois isto vai muito além da religião -  ou da negação da mesma - e está ligado intimamente às origens de toda existência humana. E não digo olhando de cima não, pois não me considero forte, e acho até que é pior aquele que sabe e não faz do que o que não sabe. Pelo menos o peso é diferente. Caso alguém sinta algum anelo em saber exatamente do que se tratam essas doutrinas, entrem nos links acima marcados e seja auto-didata, pois não vou aprofundar nada aqui. Quer saber? Corra atrás. Criticar as coisas é fácil. Difícil é percorrer todo um caminho antes de querer adivinhar o que tem no final dele, mesmo que seja para ver que não era onde queria chegar e voltar ao inicio. Os holistas, entusiastas imparciais. Estes tem meu respeito, mesmo que possa não concordar com suas crenças. Só não me venha dar aulas sobre maratona olímpica quando nem sequer correu seus primeiros 100 metros rasos. Livros também estão cheios de teorias, e sequer saem do lugar.
Um anjo da morte
Na verdade, o que me impulsionou a ( plagiando Herasmo) escrever essas mal traçadas linhas, ainda que não à mão,  foram dois, como direi, incidentes ocorridos essa semana, nos quais de uma maneira ou de outra, acabei por ter um vislumbre da morte diferente do cotidiano, por assim dizer. Em ordem inversa, na quarta feira, 25/09, sofri um acidente com o automóvel da empresa em que trabalho. Não sofri muitas escoriações , mas poderia ter sido bem, bem pior. Para resumir, estava em uma estrada do interior, em velocidade acima do que deveria, cerca de uns 70 km/h, quando o carro ficou instável ao passar sobre algumas pedras soltas que haviam na beirada da estrada. Então perdi o controle do veículo que atravessou na via e acabei caindo em uma vala de uns 4 metros de profundidade. Bati de frente com bastante violência na lateral da valeta, destruindo a frente do carro. Por sorte ( será?) não foi de lado, pois provavelmente não estaria escrevendo isso aqui agora... Bati a cabeça e o abdômen, mas, como disse antes, poderia ter sido pior. Estava sem sinto, detalhe... Logo, se tivesse sido de lado... Got it? Não posso deixar de pensar que fui "rondado" pelo anjo com a gadanha, uma vez que o acidente causou danos de grande monta no veículo, e segundo meu patrão, nasci de novo. Achei meio exagerado, mas... Me veio a mente a morte. No entanto, como disse, esse foi o segundo fato que despertou pensamentos funestos em mim nos últimos dias. Com certeza o mais intenso, por ser eu o protagonista. Mas o primeiro, devo admitir, me fez pensar com maior profundidade.
Scarry...
No domingo último, 22, um jovem rapaz, amigo de amigos meus, o qual na verdade vi pessoalmente apenas uma ou duas vezes, sem nem trocar palavra, cometeu suicídio. Enforcou-se na varanda da sua casa. Segundo familiares, tomava remédio controlado, ou seja, já sofria de algum distúrbio. Bem, não vou entrar em detalhes, até porque não estou muito a par. Também vou (tentar) evitar julgamentos. Devo admitir que pensamentos autodestrutivos já vagaram esporadicamente por minha mente (não disse que era torpe?) e houve uma época em que pensava que "para se matar o cara tem que ser corajoso". E isso foi ponto passivo por um bom tempo para mim. Mas não vejo mais dessa forma. Creio piamente que não tem nada à ver com coragem essa questão suicida. Bem pelo contrário. É preciso chegar em um estado de total desânimo, descrença, desmotivação. Vários "des" se encaixam aqui. Claro que tem a tão em moda depressão também, que em verdade é a personificação de todos esses "des". E os caminhos que levam à esse final, o de tirar a própria vida, são tão variados quanto as raízes próprias da depressão. Peço licença agora aos psiquiatras e agnósticos de plantão, mas  a melhor definição de depressão que já me deram foi a de que "depressão é falta de deus". E acreditem, isso não tem nada a ver com religião. Não da forma com que estamos acostumados a ver. Enfim, é esse vazio colossal que toma conta do interior da pessoa que, em suma, pode-se dizer que é essa falta de deus. Bem resumidamente mesmo. E isso tudo tem a ver com covardia, e não com coragem. Não é preciso ter coragem para calçar uma arma na boca e puxar o gatilho. Só é preciso estar lotado de "des". Cheio de vazio. Ou com um litro de pinga nas guampa, dizem que também funciona. E, bom, se não tem a ver com coragem, obviamente diz muito sobre covardia. Sem julgamentos, sem condenações. Nos tornamos covardes ao evitar as pessoas. Ao evitar os problemas, protelá-los. Ao vermos aquele copo com água pela metade como meio vazio, ao invés de meio cheio. Ao culpar os últimos minutos do filme por seu fracasso, só porque não foi como esperávamos, ainda que achado um épico durante as duas horas e meia anteriores. Ao nos tornarmos intolerantes com tudo o que não é do nosso agrado, e contra à tudo que não "simpatizamos". Nos tornamos covardes quando preferimos os atalhos sutis ao invés do longo e entediante ( assim pensamos, não é mesmo? ) sendeiro da nossa jornada. Entendam, para falar de algo com alguma propriedade, assim me ensinaram, é preciso que isso "nos conste", ou seja, temos que ter alguma experiência, mínima que seja, no assunto. Por isso, não se ofendam, pois ao discorrer sobre todo esse processo de "produção" de um covarde, é de cadeira... Em todo caso, nunca consegui chegar ao nível de "coward master". De toda forma, busco, sempre que posso, manter em mente um mantran pessoal que um amigo me ensinou, que segundo ele o ajuda bastante, e que se resume em "apesar de tudo a vida vale a pena".
Um ritual seppuku
Uma coisa interessante que observei sobre os suicidas, é que na maioria das religiões estes se dão mal. Ou, pelo menos, não se dão muito bem. Quem tira a própria vida no cristianismo e judaísmo, por exemplo, sem chance de ver São Pedro. Destino: inferno ( cada qual ao seu estilo, claro). Espiritas dizem que os próximos ciclos do indivíduo serão muito mais difíceis. No budhismo é onde encontramos até uma certa tolerância, no caso de "suicídios honrosos". É uma questão de interpretação, pois á bastante diferença em um homem depressivo que corta os pulsos para se livrar daquilo que não consegue lidar para, por exemplo, um samurai que realiza um ritual seppuku. Até o próprio islamismo, o puro e clássico, não esse afetado por pensamentos contemporâneos terroristas, condena o suicídio. Bom, quem leva sorte nisso são os ateus e agnósticos. Estes estão acima do bem e do mal, e podem escolher se querem ira para valhalla, terra do nunca ou renascer como um Na'vi ( perdoem a piada, mas gostaria de ouvir o que alguém que se diz "isento de crenças religiosas" pensa sobre isso. Pra onde vamos, de onde viemos... Sério.) Particularmente penso que por trás de todo mito existe um fundo de verdade. Logo...
"Só seguir a segunda estrela a direita..."
Finalizando, a morte deveria estar mais em voga em nossas vidas. Da maneira certa, claro. Creio que o apego à vida é a causa maior que leva às pessoas a pensarem ( e fazerem! ) em tirar a própria vida. Pode parecer um contra-senso inicialmente, mas reflitamos: se ao invés de achar que podemos "acabar com nosso sofrimento" ao findar a própria vida, soubéssemos que estas nossas penúrias, além de ridiculamente insignificantes diante do todo, são passageiras e unicamente provenientes de nossa incapacidade de compreensão de tudo o que acontece a nossa volta, e de nós mesmos também, tornaria tudo sensivelmente mais simples do que fazemos parecer que são. Ou seja, se pensamos que acabar com a vida pode resolver algo, é porque à valorizamos da maneira errada, e não nos damos conta de que ela sequer nos pertence, ou mesmo exista. A vida em si É. Nós meramente ESTAMOS. E o único lugar em que ser e estar é a mesma coisa é na conjugação do verbo to be, da língua inglesa...




Nenhum comentário:

Postar um comentário